A saga de uma família
Adeus Tristeza apresenta um olhar diferente sobre a China
por Luciana Gonçalvesem 10/07/2012
E pra falar de tristeza, por que não desenhar? Pois foi assim que Belle Yang resolveu expressar a sua trajetória e a de seus antepassados na Velha China. Autora da graphic novel Adeus Tristeza, Belle Yang nasceu em Taiwan, a ilha em que seu pai se exilou para fugir da China comunista e suas consequências. Mas aos setes anos imigrou com a família para os Estados Unidos.

Depois de sair de casa para cursar biologia, ela se deparou com uma série de problemas, entre eles um namorado violento, o que a fez voltar para a casa dos pais. Desnorteada e com medo de tornar-se um fracasso, Belle Yang resolveu partir para Pequim, na China, onde estudou artes plásticas. Ao retornar para os Estados Unidos em 1989, ela deixou pra trás uma China que recém havia retomado à democracia e sentia um misto de alívio e culpa, por poder voltar ao american way of life.
E foi nas histórias sobre os familiares de Baba, seu pai, que Belle Yang tomou para si o objetivo de dar forma e voz à saga da dinastia Yang durante o século 20. Da reunião dessas histórias, a autora remonta em Adeus Tristeza os aspectos sociais, históricos e claro, até mesmo pessoais, sobre aqueles que formaram boa parte da sua árvore genealógica.
Nos traços apurados de Yang, a artista mostra as etapas de seu processo criativo, aos moldes de outras grandes graphic novels. É impossível não estabelecer semelhanças positivas com outras HQ do mesmo estilo.
Assim como Art Spiegelman, autor de Maus, Belle Yang se alia a figura do pai como fonte de histórias paralelas que surgem para falar do passado e retomar o presente. Ao mesmo tempo Yang retrata o choque cultural entre a tradição familiar e a vida ocidental, assim como Marjane Satrapi em Persépolis. E todo esse processo de autoconhecimento é narrado com uma sutileza poética semelhante a de Craig Thomson, autor de Retalhos.
No entanto, Adeus Tristeza não está preso apenas a comparações com outras obras. Belle Yang vai aos seus remotos antepassados para tentar elucidar a trajetória de sua família e, com isso, a própria história para falar de um país, sob a perspectiva de um olhar específico.





